Premiê espanhol quer manter controle sobre Catalunha

Região autônoma elegeu Quim Torra como presidente na segunda-feira (14); novo líder prometeu dar sequência à criação da República Catalã
15/05/2018 13:41 Mundo
Rajoy quer manter controle sobre região autônoma / Foto: REUTERS/Stoyan Nenov/15.05.2018
Rajoy quer manter controle sobre região autônoma / Foto: REUTERS/Stoyan Nenov/15.05.2018

A Catalunha elegeu um novo presidente para a Generalitat (governo da comunidade autônoma). Quim Torra se encontrará nesta terça-feira (15) com o seu antecessor, Carles Puigdemont, na Alemanha. Ambos são separatistas e querem a independência da região. O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, se reuniu também nesta terça-feira com o líder do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), Pedro Sánchez, para definir estratégias sobre como manter o controle da Generalitat.

Quim Torra, em seu discurso de posse, repetiu diversas vezes que o presidente legítimo da Catalunha é Carles Puigdemont, o pivô do desafio independentista, que está autoexilado na Alemanha. Hoje, em seu primeiro ato como presidente, Torra visitará Puigdemont, em Berlim.

Eleito com 66 votos a favor (dos partidos independentistas Juntos pela Catalunha e Esquerda Republicana) e 65 contra (toda a oposição), Torra prometeu dar sequência à criação da República Catalã e restituir todos os políticos que foram destituídos com a aplicação do artigo 155, da Constitução da Espanha, no final do ano passado, quando Puigdemont realizou um referendo considerado ilegal pelo governo central.

O primeiro-ministro Mariano Rajoy e o líder do PSOE, Pedro Sánchez, estabeleceram hoje um acordo para lidar com o desafio separatista na Catalunha. Em uma declaração conjunta, PSOE e o governo espanhol acusaram Torra pela "natureza xenófoba de suas manifestações públicas"e afirmaram que manterão o controle das finanças da Generalitat.

Rajoy e Sánchez indicaram que podem voltar a aplicar o artigo 155 da Constituição, que permitiu suspender temporariamente a autonomia da Catalunha; destituir Puigdemont e diversos conselheiros envolvidos na tentativa independentista; e convocar novas eleições.

Histórico

Desde 1º de outubro do ano passado, a Espanha se viu imersa no conflito separatista catalão. Naquela data, foi realizado um referendo para decidir sobre a independência da Catalunha. O pleito, que não foi reconhecido pelo governo espanhol, teve maioria dos votos pela separação da região.

Após uma declaração unilateral de independência (DUI) por parte dos separatistas, o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy acionou o artigo 155 da Constituição.

Após uma campanha turbulenta, o partido de Puigdemont, JuntsXCat (Juntos pela Catalunha), e o Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), obtiveram a maioria dos votos e o direito de indicar o novo presidente da região.

No entanto, Puigdemont, o principal líder dos separatistas, estava autoexilado na Bélgica desde o início de novembro do ano passado, com outros quatro ex-conselheiros. Em janeiro desse ano, Puigdemont foi para a Dinamarca. A promotoria da Espanha solicitou, então, ao Tribunal Supremo, a ativação do mandado europeu de detenção no país. Ele foi detido na Alemanha em março e solto em abril, após pagamento de fiança.

Fonte: Agência Brasil / R7

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