Droga usada para tratar osteoporose impede evolução de grave câncer de mama

Cientistas chineses descobrem que medicamento usado para tratar doenças ósseas impede a evolução do mais grave tipo de tumor, o triplo negativo, resistente aos quimioterápicos. O estudo foi feito com ratos, mas os pesquisadores consideram o resultado promissor
08/05/2018 06:39 Saúde
Foto: Reprodução
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De todos os tipos de câncer de mama, aquele mais temido por pacientes e médicos é o triplo negativo. Isso porque ele não contém o receptor de estrogênio, nem o de progesterona e a proteína HER2, principais alvos do tratamento da doença. Assim, sobram poucas opções terapêuticas. Contudo, uma droga usada para tratar osteoporose impediu, em ratos, a evolução das células cancerígenas. Os resultados foram publicados na revista Journal of Experimental Medicine e ainda são preliminares, mas, segundo os pesquisadores, trazem esperança de que, no futuro, seja possível combater o tumor em humanos.

 

Os pesquisadores confirmaram que o ácido zoledrônico inibiu a ação da UGT8, o que reduziu, na cobaia, os níveis de sulfatide e, consequentemente, a progressão da doença. O tratamento com a droga prejudicou a capacidade das células de invadir os tecidos, o que impediu a metástase. “Nós somos os primeiros a identificar que o ácido zoledrônico é um inibidor direto da UGT8, e a inibição farmacológica da UGT8 pela substância suprime a migração, a invasão e a metástase pulmonar das células triplo negativas”, detalhou Dong. “A natureza altamente agressiva e a ausência de terapias efetivas para o câncer de mama triplo negativo tornam alta prioridade elucidar o que determina sua agressividade e identificar potenciais alvos terapêuticos”, complementou o autor.

Para os especialistas, os resultados abrem as portas para um uso futuro do medicamento no tratamento do câncer de mama triplo negativo em humanos. “Como já é aprovado para o tratamento de osteoporose e metástase óssea, ela tem o potencial de se tornar uma droga alvo valiosa no tratamento clínico desse tumor”, frisou Dong. Os autores do estudo acreditam que mais pesquisas podem dar maior validade a essa possível alternativa terapêutica. “Mais ensaios clínicos que se concentram nesses tumores específicos são necessários para avaliar a capacidade da droga e confirmar se ela pode ser uma opção no tratamento dessa doença desafiadora”, adiantou o autor.

 

Fonte: Vilhena Soares / Correio Braziliense

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