A inteligência artificial errou feio ao prever o campeão da Copa

14/07/2018 13:19 Tecnologia e Ciência
(Foto: Reprodução)
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O futebol é imprevisível. Você pode usar estatística e análise de dados o quanto quiser, mas o resultado ainda será definido dentro de campo como fruto de inúmeros fatores que podem influenciar uma partida, e vários elementos mínimos que podem se empilhar para modificar um resultado de forma significativa. E quem mais sofreu com esse caráter imprevisível do jogo foi a inteligência artificial.

Antes da Copa, várias instituições resolveram que seria interessante utilizar a tecnologia de aprendizado de máquina (também conhecida pela variação em inglês do nome “machine learning”), usando modelos estatísticos e muitas simulações para prever o vencedor do torneio. Absolutamente nenhum deles previu a chance de a Croácia ser campeã; da mesma forma, as máquinas tiveram grande dificuldade de colocar a França entre as favoritas.

Um desses experimentos unia pesquisadores da Universidade Técnica de Dortmund, da Universidade Técnica de Munique, ambas na Alemanha, e da Universidade de Ghent, na Bélgica. Eles chegaram à conclusão de que a Espanha tinha as maiores chances de vencer a competição; a Alemanha era a segunda favorita, seguida pelo Brasil. Nenhum dos times passou da fase de quartas-de-final. O mesmo estudo colocava a França como quarta maior favorita e a Croácia apenas na nona colocação.

 

Para chegar à conclusão, foram analisados uma série de critérios, que, infelizmente, não conseguem traduzir a imprevisibilidade do campo. Entre eles estão a posição de cada país no ranking da Fifa, o tamanho da população, o PIB, as cotações nas casas de apostas, quantos jogadores de cada time joga junto em um único time, a idade média dos jogadores e quantas vezes eles venceram a Liga dos Campeões.

Você pode perceber que apenas com essas informações seria difícil para uma máquina extrapolar os dados para estimar quem seria o favorito a chegar ao título, o que faz todo o sentido. É um conjunto de dados altamente limitado para lidar com as infinitas variações de elementos que fazem com que cada partida de futebol seja única. Por exemplo: não existe conjunto de dados no planeta que conceberia um gol contra de cotovelo de Fernandinho contra a Bélgica nos primeiros minutos de jogo, que criaria um desequilíbrio completo no jogo. Da mesma forma, não há como um modelo matemático prever que a Espanha demitiria um técnico dois dias antes do início da Copa.

O caso da Goldman Sachs é curioso, porque a instituição financeira atualizou suas previsões a cada rodada, simplesmente porque a cada passo da Copa suas estimativas se mostravam erradas. Primeiro, a empresa havia colocado o Brasil como grande favorito para vencer uma final contra a Alemanha com base em 1 milhão de simulações. O modelo falhou em prever que Croácia e Inglaterra avançariam à semifinal, enquanto Argentina e Espanha cairiam nas quartas-de-final, enquanto a Rússia sequer deveria ter passado da fase de grupos, dando seu lugar na próxima fase à Arábia Saudita. Tudo errado.

 

Diante do fim da fase de grupos e boa parte das previsões já se mostrando erradas, a empresa publicou uma segunda análise, tendo atualizado o seu modelo preditivo. O Brasil seguia favorito, mas desta vez deveria vencer a Inglaterra na final. Novamente, a previsão se provou errada.

A empresa ainda lançou uma terceira análise após as quartas-de-final, quando as semis já estavam definidas. Mesmo diante de uma previsão com menos parâmetros, já que havia apenas quatro times restantes e duas vagas, o modelo foi incapaz de escolher os finalistas corretos, apostando em Bélgica contra Inglaterra na decisão, com a ótima geração belga sagrando-se campeã.

As falhas nas previsões mostram como este conjunto restrito de dados ainda são incapazes de lidar com o imponderável, com a infinitude das variáveis que compõem o esporte, os elementos humanos imprevisíveis, os erros inesperados e os acertos inimagináveis.

Neste sentido, parece curioso que a previsão que parece mais provável de ser concretizada seja a da EA Sports, que colocou a França como vencedora da competição graças a uma simulação feita no jogo Fifa 18, que recebeu a atualização com o modo Copa do Mundo um pouco antes da competição começar. No entanto, a Alemanha foi colocada como a adversária na decisão, o que obviamente se mostrou errado.

O jeito, portanto, é recorrer à única técnica de previsão de resultados que realmente funciona em Copas do Mundo: polvos em aquários alemães.

 

Fonte: Renato Santino / Olhar Digital

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